Tens dores após o sexo? Podes ter Dispareunia

Publicado: 29-07-2026 10:59:45 | Por Equipa Welcome Lover • 5 min de leitura
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Tens dores após o sexo? Podes ter Dispareunia

Dispareunia, o termo pode ser um estranho para ti. Mas a condição que ele descreve é mais comum do que podes imaginar. Dispareunia é o nome dado ao transtorno, de causas físicas ou psicológicas, caracterizado pela dor genital durante ou após o sexo.

Pode acometer homens e mulheres, embora seja mais comum nas mulheres. A falta de informação e o pudor quanto ao assunto podem transformar uma atividade, que deveria ser fonte de prazer, em um verdadeiro tormento. Vamos esclarecer as principais dúvidas quanto à dispareunia. Afinal, conhecer o problema é a forma mais eficaz de desmistificá-lo.

Sintomas e tipos de dispareunia

Usamos a sensação de dor para definir o indício de dispareunia. Contudo, é importante entender que a dor pode ser relatada de diferentes formas. Ardência e queimação, por exemplo, são modos de interpretar o desconforto. A intensidade das sensações é igualmente relativa. Pode ser leve, moderada, ou chegar a manifestações agudas, quando a dor é dilacerante.

Outro ponto importante é que, ao falarmos do transtorno, ponderamos casos de incômodos recorrentes – e não episódios únicos, isolados. Quanto ao foco da dor, mulheres apontam diferentes locais ou situações, tais como:

  • parte externa da vagina, especialmente na vulva;
  • durante a penetração, com introdução de pensos internos ou vibradores;
  • no fundo da vagina, mais próximo ao útero;
  • após o sexo, por norma, a perdurar por horas.

No que diz respeito aos tipos de dispareunia, costuma-se categorizá-los da seguinte forma:

  • primária: o incômodo está presente desde a primeira relação sexual;
  • secundária: as sensações desagradáveis surgem com o tempo, depois de experiências normais, sem desconfortos;
  • situacional: ocorre com parceiros específicos ou apenas numa determinada posição;
  • generalizada: todas as tentativas de sexo são acompanhadas por dores.

Causas físicas ou orgânicas

O distúrbio precisa ser avaliado por médicos, que vão proceder com os testes necessários para investigar a origem do problema. A resposta pode ser de fundo emocional, que abordaremos em seguida. Contudo, se a causa é de ordem física teu tratamento será compatível com a desordem diagnosticada. Verifique algumas situações, de caráter orgânico, que podem resultar na dispareunia:

  • malformações genitais;
  • endometriose;
  • alergias ou dermatites;
  • herpes genital;
  • cistite;
  • candidíase;
  • redução da lubrificação vaginal;
  • doenças sexualmente transmissíveis;
  • menopausa;
  • pós-parto (especialmente quando a episiotomia é efetuada).

Causas psicológicas ou emocionais

Uma vez constatado que o corpo, sob o ponto de vista físico, está saudável, é hora de averiguar a incidência de fatores psicológicos, que podem inibir a excitação, o relaxamento e a própria lubrificação vaginal. As circunstâncias emocionais que podem repercutir na atividade sexual são múltiplas, mas existem algumas mais recorrentes. Dentre elas, citamos:

  • histórico de abuso sexual: quando o sexo é associado a uma violação, trauma ou desrespeito ao desejo (incluem relações não consentidas que ocorrem entre parceiros casados), a dispareunia é bastante presente;
  • transtornos como estresse, depressão ou ansiedade;
  • educação ou crenças religiosas muito rígidas, que cercam a sexualidade de tabus e sentimentos de culpa;
  • ausência de desejo sexual pelo parceiro;
  • medos, como o de engravidar ou magoar o bebé, durante a gestação;
  • insegurança quanto ao corpo;
  • falta de autoconhecimento, no sentido de compreender o que causa prazer e excita;
  • problemas de autoestima.

Tipos mais comuns

A dispareunia de intróito (vaginismo) é a manifestação mais comum quando a causa da dor tem origens emocionais. Caracteriza-se pela contração da musculatura vaginal, que impede a penetração confortável e prazerosa. Em outras palavras, a tensão causa espasmos involuntários na vagina, fechando-se ao pénis ou qualquer objeto que seja introduzido (inclusive em exames ginecológicos).

Já a dispareunia pós-parto, cujas razões podem ser de ordem física, também pode ter fundo psicológico. Isto porque, depois do parto, dúvidas quanto ao corpo e à própria sexualidade são normais. Tudo será como antes? Vai doer? O prazer diminuirá? A aparência pós-gestação será atraente? Questionamentos como estes são muito comuns. Somados ao cansaço e mudança de rotina do casal, o momento pós-parto pode, sim, desencadear episódios de dispareunia.

Consequências

Vale enfatizar que a dor sempre sinaliza que algo não está bem. Ela pode ser o sintoma de alguma doença que precisa de tratamento oportuno. Ignorar este aviso pode agravar o quadro e trazer danos irreversíveis. Entretanto, não apenas a saúde física está em risco. Mesmo quando a origem está nas causas orgânicas, o estado psicológico pode sofrer fortes abalos.

Quando o sexo dói, ele passa a ser rejeitado. Isto empobrece a qualidade de vida e os sentimentos de inadequação, incapacidade e frustração são multiplicados. Sem dúvidas, impacta também na relação com o parceiro. Com o sexo, busca-se satisfação mútua. E, quando esta não ocorre, o desentendimento avança para outros setores da convivência.

Algumas mulheres, buscando “agradar” seus parceiros, submetem-se ao ato sexual, apesar da dor. A situação, no entanto, tende a ser insustentável – além de ser a escolha equivocada. Especialmente quando não há abertura para relatar o incômodo, a dor acaba por afastar o casal. O sentimento de culpa pode tomar conta e até inviabilizar relações futuras.

É crucial que o sexo seja percebido como qualquer atividade que, normalmente, possamos praticar. Quando notamos qualquer irregularidade com nosso corpo, o que fazemos? Buscamos ajuda de um profissional da saúde, narramos nossas dificuldades, compartilhamos com quem temos intimidade. O mesmo deve ser feito quando a disfunção está no âmbito sexual.

Tratamentos

O tratamento pode envolver fisioterapia pélvica, terapia hormonal, uso de pomadas lubrificantes ou cirurgias, de acordo com o quadro clínico diagnosticado. Em casos de dispareunia situacional, uma simples adaptação resolverá o problema. Posições desagradáveis devem ser evitadas e, com o diálogo, o casal descobre o ritmo que beneficia ambos. O autoconhecimento do corpo e das circunstâncias que são – ou não – excitantes, promovendo relaxamento e lubrificação, também são essenciais.

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